sexta-feira, 7 de maio de 2010

As Aventuras de Barbara pela Estrada - Parte 4

Fui pra Tucuruí na quarta-feira e, como em todas as idas, foi tudo tranquilo e feliz. Cheguei lá eram oito da noite, fui jantar e depois fui pra casa onde ficaria hospedada aquela noite, antes de ir pro alojamento.

Como sabia que domingo é dia das Mães, mesmo tendo ido dormir quase meia noite, fui trabalhar na quinta  duas horas mais sedo que o normal, pra poder voltar pra Belém hoje (sexta-feira).

Então, umas quatro da tarde de ontem, fui pra rodoviária comprar passagem, feliz e serelepe.

Cheguei lá e descobri que, pra hoje, não tinha mais passagem em nenhum horário. E nem pro sábado.

Pânico. Tremedeira. Suor frio.


"Moço, peloamordomeusantochocolate, tem pra hoje?"

"Ah, tem uma cadeira, no corredor, pro ônibus de meia noite. E só!"

"Me dá! É minha! Já comprei!"

Lancei-me sobre a compra como se fosse o último chocolate da caixa em dia de TPM.

Já pensou? Ficar encalhada em Tucuruí no dia das mães?!

Nem pensar! Vinha na quinta mesmo!

Voltei correndo pro trabalho, pedi ajuda pro guarda pra conseguir terminar tudo que tinha pra fazer do lado de fora, despachei processos, arrumei a pasta de Tavs, redigi cinco termos de entrega, li e assinei outros doze, organizei minhas listas, arrumei arquivos e fiz backup semanal no estilo "tudo-ao-mesmo-tempo-agora".

Mal tinha me recuperado das oito horas de estrada da véspera e já iria encarar mais nove... e tinha que fazer o trabalho de dois dias em menos de cinco horas!

Voltar na quinta queria dizer quase dezoito horas de estrada em menos de 48 horas.

Loucura. Surto. Correria.

Onze horas da noite tinha conseguido terminar tudo que tinha pra fazer e ainda tinha tido tempo de bater um papinho com as meninas no MSN.

Jantei, agradeci aos céus pelos guardas serem tão legais e prestativos e fui curtir a chuvinha do lado de fora, esperando dar onze e meia para ir pra rodoviária.

Quando cheguei lá estava tão exausta, tão exausta que tinha certeza que era o ônibus sair de Tucuruí, com meia hora pra relaxar dando uma lidinha, me esparramaria na cadeira e dormiria o sono dos justos.

E foi o que aconteceu.

Mas não antes de:


Seriado: Viagens de Volta


Episódio de Hoje: O Estressado


Quando eu me estatelei na cadeira, já estava sonhando com os lindos e maravilhosos Roarkes que me fariam dormir.

Sabia que alguém iria do meu lado, já que o ônibus tava lotadérrimo.

Fiquei lá na minha cadeira do corredor (que eu detesto) esperando a pessoa chegar, resolvendo o que iria ler antes de dormir.

Já estava lendo a quinta sinopse quando ele chegou.

Era um senhor com uma expressão carrancuda e uma carteira de cigarros na mão.

Sentou do meu lado, pegou o celular, ligou os fones e ficou lá na dele.

O ônibus foi lotando, lotando. A cadeira do senhor sentado na minha frente não ficava parada na posição deitada (o que fazia a criança atrás de mim dar risadinhas incontroláveis), então ele teria que ir até São Luis assim mesmo. Mas como ele estava indo viajar, nada tirou o sorriso da cara dele.

O parceiro do meu vizinho de frente também era só sorrisos. Ia para Bragança, conseguiram juntar toda a família.

Como ele estava bem exausto, assim que o ônibus começou a andar ele deitou a cadeira.

E aí começou o surto.

O cara do meu lado reclamou tão alto que as seis fileiras anteriores a nossa ficou em absoluto silêncio.

Tensão no ar...

"Assim não pode! Essa *&%$# de cadeira não pode ficar assim! Tá machucando minhas pernas! Você não tá vendo que não tem condição?"



A expressão do pobre sentado na frente foi tão estarrecida que deu até dó. Mas aí ele fechou a cara e abriu a boca pra dar uma resposta que, imaginou eu, seria grossa a altura do Estressado.

Juro que dava pra ver as veias latejando e a raiva saindo pelas orelhas do pobre rapaz.

Ele respirou fundo várias vezes antes de dizer que levantaria a cadeira um pouco, já que ia descer em Belém mesmo.

Virou de frente e disse um "Passe bem!" pro cara.

Todo mundo ficou olhando pro doido. Ele fez uma cara de quem comeu e não gostou, desligou o celular e fingiu dormir pela próxima meia hora.

Eu devo ter ficado uns bons cinco minutos com cara de taxo olhando pra senhora sentada na fileira do lado.

Por que, senhor, porque só senta maluco do meu lado??

Hunf!

Nenhum comentário:

Postar um comentário