quinta-feira, 20 de maio de 2010

Viagens da Ba - Parte 5

Dessa vez temos uma trilogia de loucuras!!
Nunca imaginei que viajar fosse dar tanta história sem noção!!!
Cada coisa louca que me acontece!
Ai, ai...

Seriado: Viagens de Ida
Episódio Piloto: A Batedeira Ambulante

Não, não façam essa cara. Eu não pirei. Vocês vão concordar comigo no final.
Vamos começar do princípio, que será mais fácil de entender.
Eu sempre viajo no ônibus executivo de 21 hrs. É o mais novo que tem, o que facilita a viagem. Pra garantir que vá nele, eu sempre compro a passagem bem antes do dia da viagem.
Só que, como esse final de semana eu tava super exausta, fiquei enrolando, enrolando... deixei pra ir comprar a passagem no domingo. Resultado?! Não tinha mais cadeira no ônibus que eu gosto de ir.
Na hora em que o bilheteiro disse isso, já imaginei que seria a estreia do meu "Viagens de Ida". Afinal, todas elas foram normais. Se bem que teve a segunda, onde o ônibus deu prego, minha pasta despencou na cabeça do meu colega e cortou o nariz dele, o motorista tomou um banho de água de motor... errr... certo, certo... retiro o que disse! Nada de normal acontece nessas vianges!
Como o que não tem remédio, remediado está, comprei passagem pro ônibus de 21:15. Você deve pensar: "O que míseros quinze minutos fazem de tão diferente?". E eu respondo para você: TUDO!
O ônibus de 21:15 é velho. Ponto.
Isso quer dizer que amortecedor é lembrança do passado, as luzes de leitura são um sonho distante e dos controles de saída do ar restam apenas os buracos.
Sim, pode gemer de desespero junto comigo. Foi exatamente essa expressão que você está fazendo agora que eu fiz quando vi que não teria como ir no meu amado ônibus de 21.
Pra completar minha alegria, minha poltrona era a de número 45! Pode não fazer sentido pra você, mas, pra mim, quer dizer que viajaria sobre a roda!!!!
O ônibus me jogava pra direita, pra esquerda. Passava numa lombada e lá ia eu pra cima...Não era a estrada que estava mais esburacada do que o normal. Era a ausência de amortecedores que causava o "efeito batedeira no máximo"! Tudo tremelicava. Se tivesse tomando sorvete, teria virado Milk Shake.
Fui me sacudindo e sacolejando daqui até lá. Cada buraco da estrada era um pulo na cadeira.
Juro que me senti praticamente um grão de farinha numa batedeira!
Agora, faça as contas comigo:
Estrada esburacada + Ônibus velho + Poltrona sobre a roda + Sem luzes de leitura + Sem Saída de Ar pra Fechar = Viagem do inferno.
Agora, nunca mais serei preguiçosa e tratarei de garantir minha passagem no meu maravilhoso e confortável ônibus de 21 hrs. E tenho dito!

Seriado: Estadias
Episódio Piloto: A Sombra e O Tenente

Depois das mais longas oito horas da minha vida (um dia ainda descubro qual o motivo nessa variação espaço/tempo nas viagens de cá pra lá e de lá pra cá), cheguei lá e fui direto pro trabalho. Estava exausta, irritada, dolorida.
Só queria ir pra reunião, resolver tudo lá mesmo e depois dormir.
Não era nenhuma desejo mirabolante. Mas os Destinos adoram me pregar peças.
Minha reunião começou atrasada. Eu lá, dormindo em pé, doida pra me jogar na cama e o povo da reunião atrasado.
Pra completar, a filha da servente não teve aula e ficou a manhã inteirinha andando atrás de mim de um lado pro outro.
Se eu ia do lado de fora, ela ia também. Se eu bebia água, ela bebia também. Eu levantava pra atender alguém e ela ficava lá do meu lado, me olhando com aqueles olhos curiosos e com montes e montes de perguntas sobre o que eu estava falando. E quando eu explicava, ela perguntava o que era cada papel que eu tinha na mão. *suspiros*
Seria fofo, se eu não estivesse com o humor no chão e a paciência no limite. Nunca fiquei tão feliz por ver um filhote de cachorro do que quando ela finalmente notou o bichinho e foi pra lá brincar com ele.
Darei ração Pedigree pra ele o resto da vida.
Quando consegui ir embora só ficava imaginando o chuveiro. Acho que quase entrei em nirvana quando consegui entrar nele e sentir aquela águinha gelada caindo sobre a minha cabeça.
Abri a porta do quarto, olhei pra minha cama e vi o paraíso.
Quinze horas de sono direto. Acordei me sentindo no céu as cinco horas da manhã do dia seguinte.
No dia seguinte...
Estava eu lá na sala comum, feliz, esperando dar 7:40 pra ir pegar o ônibus pro trabalho quando o pessoal do exército saiu dos quartos.
Todo mundo muito sorridente, feliz e alegre. Eu estava tranquila lendo meu "A Primeira Regra do Mago", pra Maratona da Anta, quando o fofíssimo do tenente sentou do meu lado.
"Não quer tomar café conosco, anjo? Acabei de fazer. Está uma delícia!"
Eu conheço o café desse povo. Dizer que é forte é dizer que o inferno é morninho.
"Ah não, obrigada! Estão me esperando pra tomar café no trabalho." mentira, mentira. Vou pro inferno.
"Ah, mas tem um pãozinho fresquinho! Ainda está quente. Vem comer, vem! Ficar de barriga faz mal, hein?"
Todo mundo na sala me olhando, incluindo o tenente fofíssimo. Olhei pro céu e xinguei os destinos de todos os palavrões que eu conheço.
O pentelho tinha que ficar me olhando com aqueles olhos pidões e aquele sorriso todo??
A potencia daquele café daria pra carregar uma bateria arriada!
Passei o resto do dia agitadíssima, igual criança com chocolate.
Coisa de louco!
Pena que esqueci de pedir a receita. Daria pra tirar um time de futebol do coma com a força daquilo...


Seriado: Viagens de Volta
Episódio: A Espaçosa

Era de se esperar que depois de tudo isso, em menos de 48 horas, minha volta tivesse sido tranquila.
Afinal de contas, os destinos, o céu e o cosmos já haviam se divertido suficiente comigo.
Mas, claro, pra que deixar passar uma viagenzinha e quebrar o padrão?
Sentou uma senhora do meu lado. Não deu boa noite, não deu sorrisos, não falou. Não tinha nada na mão, nenhum celular a vista e não tinha cara de ser perguntadeira.
Tudo normal demais pro meu gosto.
Com meia hora de viagem eu já estava quase dormindo. Guardei o celular, me enrosquei na cadeira e comecei a curtir um soninho bem gostosinho.
Até ser acordada por uma cotovelada no braço.
Afastei o braço da mulher com o cotovelo, fiquei de lado na cadeira e dormi outra vez.
A próxima cotovelada foi nas costelas! Afastei o braço dela de novo, ainda sem acordá-la.
Pouco tempo depois acordei com um peso sobre o peito. Era o braço dela!
Empurrei de volta sem nenhuma cerimonia e, irritada, cutuquei ela até ela acordar e pedi, encarecidamente, que ela mantivesse os braços dela do lado de lá da divisão, que estava realmente incomodando.
Meu, se você não sabe dormir quieto, porque não compra duas poltronas só pra si?
Eu mereço, eu mereço...

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