quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Resenha #92 - Chris Cleave - Pequena Abelha

Oie Gente,

A resenha de hoje é sobre o mais novo lançamento da Intrínseca, Pequena Abelha.
Recebi esse livro semana passada e, depois de ler a resenha da Carlinha, resolvi passar ele na frente de todos.

Capa e contra capa do livro já chamam a atenção. As cores, o resumo, tudo me deixou bastante intrigada.
Quando vi que era um livro em primeira pessoa, fiquei mais curiosa ainda. Adoro livros em primeira pessoa, por me dar a sensação de estar dentro da estória, na pele das personagens.
Ele alterna o ponto de vista entre duas personagens centrais, fazendo você ter acesso aos sentimentos que determinadas ações causou em cada uma delas.

Já nas primeiras páginas do livro me deparei com umas coisas bem divertidas, outras demonstrando uma realidade um tanto cruel e outras conseguindo ser ambas.
Imitando a Carlinha, vou por aqui uma parte do texto que exemplifica, pra mim, o terceiro caso.

          "(...) Só estou viva porque aprendi a falar o inglês da Rainha. (...) É meio triste, não acha? Aprender o inglês da Rainha é como tirar o esmalte vermelhão das unhas dos pés na manhã seguinte ao baile. Leva um tempo enorme, sempre fica um pouco nos cantos e quando a unha cresce, a mancha vermelha faz lembrar de como a gente se divertiu naquela noite."

Uma das coisas mais difíceis ao se ler essa estória é que ela é tão real que deveria ser escrita com H.
É uma daquelas ficções tão realistas, tão atuais e verdadeiras, que poderiam estar contando a história de uma menina real.
Os sentimentos que ela gera são tão profundos, que não é um livro fácil de ler. Você fica presa a ele, desejando desesperadamente que ele acabe, que o sofrimento de todos chegue ao fim, ao mesmo tempo em que tem a absoluta certeza de que, um livro tão realista, não trará um final perfeito e maravilhoso, torcendo para as páginas passarem lentamente, com medo de virar a página seguinte e ter todos os seus receios confirmados e suas esperanças destruídas.

Realidades distintas de uma mesma vida, vidas que convergem em um mesmo medo, medo de que aquelas palavras estão fazendo você sentir tanto por serem reais são um dos pontos mais fortes dessa leitura.
É uma experiência tão particular, tão íntima, que por mais que eu fale e fale, nada poderá explicar as coisas que Pequena Abelha me fizeram sentir.

É difícil definir se os personagens são egoisticamente humanos ou humanos egoístas. Tomam, como todos nós, decisões simples que afetam a vida de tantas pessoas sem ao menos pensar no causarão aos que estão ao seu redor. Parece tão simples, olhando de fora, dizer que estão errados. Nos faz pensar se, no lugar deles, também não tomaríamos as mesmas decisões e faríamos as mesmas escolhas.

Ele é tão real que fará seu coração doer, você suspirar de tristeza, seu corpo suar e suas mãos tremerem. Causará desejos de mudar tudo ao mesmo tempo que te levará a ter medo de tudo mudar.
É uma estória de emoções extremas, de decisões difíceis e de leitura deliciosa.
Vale, e muito, a pena ler.

Sinopse: Essa é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa… Depois de ler esse livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como essa narrativa se desenrola.

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