quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Resenha #184 - J.D. Robb - Retrato Mortal

Oieee Geeennnteeee!!!!

Hoje tem resenha da série Mortal.

Mas antes da resenha, quero deixar um aviso. Sevocê tem "ouvidos" sensíveis e não gosta de ler palavrões, leia aresenha com cuidado.

Eu precisei de vários palavrões para ilustrarminha indignação com algumas das escolhas dotradutor/editor/revisor/quem-quer-que-tenha-sido-o-culpado pelo resultado finalde Retrato Mortal.

 A série mortal, para quem não conhece, éuma coleção policial com mais dequarenta títulos, todos lidos por mim no original em inglês. Os personagensbásicos são os mesmos e a cada novo livro alguns novos são acrescentados.

Alguns só de passagem e outros viram personagensfixos, mas todos tem em comum sua perfeita caracterização.

Você percebe que as atitudes dos personagens, doinício ao fim, são coerentes com suas personalidades.

Nos personagens fixos a Nora faz questão de irmais além. Você percebe maneirismos linguísticos, físicos, atitudes e atéalgumas manias.

No caso da Eve,por exemplo, isso é um dos motivos de muita gente ter uma antipatia terrívelpor ela. Ela é linha dura, turrona,boca suja, mal educada e muitas vezes chega a ser grossa ao extremo. (Elatambém é justa, honesta, persistente, leal, tá? Não é só defeitos hahahah)

Isso quer dizer que ela chama palavrão pra burro.Ela diz porra, chama os bandidos de filhos da puta,diz que vai cortar os paus deles fora e enfiar no cu, cortar os colhõese fazer sopa e todo o tipo de coisa anatomicamenteimpossível.

O Roarke,por outro lado, é um antigo ladrão altamente refinado. Tem maneirismos própriose vez ou outra você consegue escutar os becos de Dublin nas coisas que elefala.

Isso quer dizer que esteja ele na sua persona dono de 1/3 do mundo e além ou na persona ladrão de mãos ligeiras, ele tem umestilo de diálogo todo próprio.

Agora, imagine só a minha frustração quando medeparei com meus personagens não dizendo um só palavrão descente, chamando uns aosoutros para "irem agitar" quando estão saindo para fazer umainvestigação e todo tipo de infantilizaçãoe suavização possível e imaginável.

Gente, me desculpem, mas tudo o que eu pensavaenquanto relia "Retrato Mortal" em português era que aquilo era omaior absurdo possível já feito em todos os absurdos linguísticos já cometidosna tradução da série.

Já basta a Bertrand optar por não lançar oslivros "livres", com pequenas estóriasentre um e outro, Deus sabe por quê. Aí me chegam num livro superimportantepara a série, como é Retrato Mortal, e descaracterizamos personagens?

Nossa, achei o cúmulo da falta de respeito comquem já leu, comprou e sofreu em 18 livros.

Tá, você pode dizer que ele se redimiu emImitação Mortal, o que é verdade, mas eu precisava deixar a minha indignaçãoaqui.

Afinal de contas, não adiantava eu dizer que olivro era ótimo, porque qualquer fã dasérie que já tenha tido a oportunidade de ler os originais saberia que era umamentira sem precedentes.

Massss,apesar da catástrofe causada por essas escolhas, Retrato Mortal é um divisor deáguas na série.

O foco central desse livro é o Roarke.

Nos 16 livros anteriores você ficou sabendo muitosobre o passado do Roarke. Que o pai dele era umladrão desgraçado, a mãe uma vaca e a vida dele um inferno.

Que o Summersetsalvou a vida dele quando o levou para morar com ele e que, apesar da infânciadesgraçada (ou talvez por causa dele) ele resolveu mudar de vida e ficar rico.

Mas aíii,chega Retrato Mortal e a J.D. da uma rasteira sem precedentes nele. Tudo,absolutamente tudo o que ele tinha certeza na vida dele vira de cabeça parabaixo quando ele encontra uma assistente social irlandesa que trabalha no Dochas.

Não, eu não vou contar o que acontece. rsSim, eu sou muito malvada, mas, eeehhhh,spoilerssuckshauhauhauha.

Já do lado da nossa destemida tenente, ela investigaum caso envolvendo um serial killerque mata jovens pessoas, as fotografa e envia as fotos para o jornal.
O cara é mórbido e terrível. E, me acreditem, um dos assassinatosfará você chorar como um bebê, já que ele bate na porta de um dos nossospersonagens queridos.

Aí vocês imaginam só a situação da Eve,né?
Vai ter que fazer malabarismos para investigar o assassino, tentar ajudar o Roarkecom a...novidade familiar dele e superar obstáculos emocionais...
Bom, resumindo, vale muitíssimo a leitura (e a aporrinhaçãode aturar as furadas da tradução nele), porque a estóriaé maravilhosa!
Recomendo!

PS: Sei que minha contagem dos livros não bate com a oficial, mas eu conto os livros em sequência de lançamento, independentemente se são considerados fora de série...
Sinopse: EveDallasvive no ano de 2059, mas nem por isso é uma detetivediferente das atuais: corajosa, destemida,inteligente e muito impaciente. Neste mais recente livro de J.D. Robb,Retrato Mortal, ela está à caça de um serial killerque assassina vítimas jovens e inocentes, as fotografa após a morte e, no fim,envia as poses para os jornais como se fossem modelos à procura de um emprego.A trama começa quando um corpo é encontrado num recicladorde lixo, e uma repórter, amiga da tenente EveDallas,repassa a informação à policial. Eveparte, então, no encalço de um criminoso que se propõe a oferecer às suasvítimas a eternidade arrancando-lhes a vida no auge da juventude. O assassino,supostamente um fotógrafo ou uma fotógrafa, observa, analisa e registracuidadosamente cada movimento de seus modelos antes de capturá-los. Sua missãomacabra é absorver a inocência, a beleza, a juventude e a vitalidade dasvítimas, sugando-as para a câmeracom o intuito de tirar um derradeiro e assustador... retrato mortal. Paradificultar ainda mais a tarefa de EveDallas,um inesperado obstáculo se colocará à sua frente: seu marido, Roarke,descobrirá terríveis fatos sobre o próprio passado. Assim, ela terá de darassistência ao homem que ama, caminhando na corda bambaque liga a sua vida profissional à pessoal, ebuscando justiça nos dois lados do seu mundo.

 

7 comentários:

  1. Bom, os comentários ainda não foram importados, mas um comentário em particular já vou responder.

    Oie Liliana,
    Acho que é uma questão de gosto.
    Eu não gostei desse trabalho dele nesse livro. Assim como não gostei do trabalho da tradutora de Belíssima.
    Até onde eu sei eu tenho esse direito.
    Se você não concorda também é um direito seu.
    Também já li os livros da série mortal em português e em espanhol. Não disse que as de lá eram melhor.
    Se você perceber eu disse que não gostei da tradução dele em Retrato Mortal. E tanto ele sabe que pecou, que a tradução dele de Imitação Mortal, resenha que postarei amanhã, está infinitamente melhor.
    Se você não sabe ler uma crítica feita em um trabalho ruim numa série de trabalhos bons é um problema que você deve rever. Não deve ser o caso do Renato.
    Até.

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  2. Acompanho o blog, mas fiquei muito decepcionada com essa resenha. O tradutor da Série Mortal faz um trabalho tão maravilhoso que já foi até elogiado pela agente da Nora Roberts no Brasil. Quem acompanha os blogs da Série Mortal, bem como as listas de discussões no orkut, facebook e twitter sabe o quanto ele é admirado e respeitado pelos fãs, já tendo inclusive dado entrevistas à Folha de São Paulo e à revista Isto É.

    Sou professora em faculdade de letras. Ensino inglês e de espanhol. Leio a Série Mortal em inglês e português. Adoro as gírias, expressões e nomes adaptados que Renato Motta cria para os objetos futurísticos da série. Isso tudo já entrou para o imaginário dos fãs brasileiros. Também já tive a oportunidade de ler um livro da série em português de Portugal, quando fui a um congresso na Europa, há dois anos. Confesso que fiquei apavorada com o péssimo resultado. A tradução que é publicada na Espanha também é de assustar qualquer fã.

    Devemos reconhecer quem tem valor e só criticar aquilo que conseguiríamos fazer melhor. Não me parece o caso aqui. Na minha opinião, Renato Motta é um dos cinco maiores tradutores brasileiros em atividade no Brasil e merece nosso respeito. Espero ter a chance de conhecê-lo pessoalmente e parabenizá-lo pelo excelente trabalho de trazer para o universo do nosso idioma a arte dos maiores autores contemporâneos. Vida longa para a Série Mortal no Brasil, mas com o capricho gráfico de sempre, as capas lindas e a tradução excepcional!

    Obrigada

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  3. Preciso de dizer que PRECISO ler? Acho que não... Sorte tua por já ter lido todos  nas versões em inglês... Queria eu ter acesso a eles tbm! Mas, enfim, sua resenha está ótima e sincera como sempre! Tbm odeio spoliers da série mortal, mas o que vc faz é mta maldade! Cadê o amor ao próximo? :( rsrsrsrsrs

    Quero Retrato Mortal na minha estante! E não gosto dos tradutores!

    Abs.

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  4. Oi Bárbara. Adoro suas resenhas. Depois dessa sobre Retrato Mortal fiquei muito curiosa para ler os livros em inglês. Até comprei os 2 seguintes ao Imitação na Amazon, mas demorrraaaa muito pra chegar. Daí, pergunto: vc lê os originais em papel ou ebook? Em qualquer das 2 opções, onde compra?
    Obrigada.

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  5. Oie!
    Eu leio em ebook, porque eu não aguento esperar! eles também são mais baratos que as versões impressas, que nem sempre cabem no meu bolso no momento do lançamento.
    O último que eu compra barnesandnoble.com. Vende na Amazon, mas em versão pro kindle, que eu não tenho. Aí comprei pro Nook e converti. Mas acho que tem em outros lugares... só nunca comprei neles hehehe

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  6. "Se você não sabe ler uma crítica feita em um trabalho ruim numa série de trabalhos bons é um problema que você deve rever..."

    Desculpe, Barbara, eu entendi que você não curtia o trabalho do Renato como um todo, o que seria o absurdo dos absurdos. Quem já leu os livros da Série Mortal desde o início e outros títulos da Nora traduzidos por outros tradutores e tradutoras sabe do que estou falando.

     A tradução da Trilogia da Magia e Trilogia da Gratidão, as melhores da Nora, têm tradução do Renato também. Ele é o único tradutor do mundo que fez os feitiços das Três Irmãs, que aparecem aos montes ao longo dos três livros, usando versos COM RIMA (e lindíssimos, por sinal).

    Agora veja um detalhe: Estão falando lá resenha elogiosa de "Imitação"  que o tradutor mudou só por causa da crítica, mas o "Imitação foi lançado na Bienal, muito antes de a crítica ser publicada.

    De qualquer modo, devemos à tradução brasileira os maravilhosos bordões como "mais que demais", e "vá chupar gelo!", além do She-Body, que o Renato deixou como estava no original. Sem falar no cabo de vassoura esperado na bunda do Summerset, a Eve chamando o Roarke de garotão (que muitas fãs preferiam ás - ridículo!  e o sensacional "MacVara".

    Também gosto muito quando ele coloca, em nota de pé de página, em que livro aconteceu uma determinada cena, quando um personagem se refere a ela.

    Adoro o texto da série em português do Brasil.  Em Portugal cada livro é traduzido por uma pessoa diferente. Pode , isso?.... A cagada é indescritível.

    Ah, mais uma coisa, Barbara: parabéns pela divulgação da melhor autora que existe!

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  7. Bárbara
    Já tentei comprar na B&S mas eles dizem que precisam de um endereço nos EUA ou Canadá... Vou tentar achar em outro lugar, então. Valeu.

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