sexta-feira, 8 de junho de 2012

Resenha #280 - Giorgio Faletti - Memórias de um Vendedor de Mulheres

Oie Gente,


Essa semana eu recebi da @Intrinseca o livro "Memórias de um Vendedor de Mulheres", do italiano Giorgio Faletti.


Eu gostei muito do livro, mas preciso ressaltar que ele não é nada do que eu esperava.
É certo que com um título desses não dá para imaginar que o livro vai ser uma perseguição policial depois da outra, certo? Mas ele também não é uma biografia chata e monótona que o título pode lembrar.


Para quem estava esperando algo no estilo "Eu Mato", vai ser um pouco frustrante.
Mas para mim, que comecei a ler com os dois pés atrás (já, já explico por que), foi uma grata surpresa.


"Memórias de Um Vendedor de Mulheres" conta exatamente o que o título diz: a vida de um cafetão.


O livro começa com o misterioso Bravo contando um pequeno detalhe de sua anatomia:




"EU ME CHAMO BRAVO E NÃO tenho pau.


Essa poderia ser minha apresentação. O fato de eu andar por aí com um apelido, e não com um nome de verdade, não significa nada. Cada um é o que é, apesar dos rastros burocráticos que carrega consigo como serpentinas depois de um baile de carnaval. Não importava o nome com que eu me apresentasse ao dar apertos de mão: minha vida não seria mudada em nem uma vírgula. Nada a mais nem a menos. "



Por esse trecho vocês podem ver que não tem nada de comum nesse livro.


Dos livros do Giorgio que eu já li, esse me pareceu ser o mais italiano deles.
Tem máfia, tem paisagens maravilhosas, tem boa vida, têm mulheres, prostitutas, policiais corruptos, noites em cassinos e um monte de outros clássicos (ou clichês?) italianos da década de setenta. E não é só isso.
O Bravo é um cafetão. Mas é um cafetão bem legal: trabalha para ele quem quer, as mulheres ficam com a maior parte do dinheiro e ele está sempre tentando defendê-las (quando elas estão dando lucro para ele, vamos deixar isso claro).


Só que esse cafetão, por ser bem legal, acaba se metendo em uma série de assassinatos que, a cada mínimo detalhe, apontam para ele como culpado.
E aí é que começa o grande mistério do livro.


Algumas das cenas são bem pesadas, mas não por serem cruas ou violentas demais. O peso dessa vez é emocional, já que a carga dramática desse livro é bem maior que a dos anteriores.


Uma das coisas que eu mais gostei nele foi que quando eu já achava que tinha entendido tudo, o Giorgio me dava mais um pequeno detalhe que mudava toda a figura do quebra-cabeça.


Talvez ele não vá agradar quem espera um suspense policial, já que a participação da polícia, aqui,  é praticamente para se dar bem ou complicar ainda mais a vida do Bravo.


É bem dramático, com um toque de investigação e de humor. Até as cenas eróticas do livro são carregadas de drama.
E se você está querendo saber como o cara que não tem pau participa de cenas eróticas, só posso dizer que é de uma maneira bem criativa. rs


Eu falei que comecei a ler esse livro com os dois pés atrás, e disse isso porque esse livro é em primeira pessoa e ele não é policial.
Dessa vez a primeira pessoa não me incomodou. Justamente por serem sob a ótica do Bravo muitos dos acontecimentos conseguiram manter o mistério até o final.
Como eu só tinha o ponto de vista dele nos fatos, algumas coisas que me pareceram bastante simples, no final, se mostraram ser bem mais complicadas.


Tem uma dose de humor no livro, mas não é um humor clássico. É uma coisa mais autodepreciativa. Os personagens fazem piadas com seus próprios defeitos, seus problemas e até suas crises.


Como eu disse antes, não tem nada haver com "Eu Mato".
Eu acho que não desgostei do livro justamente por saber disso antes de ter começado a ler.
Fico imaginando a frustração de alguém que espera ler um policial e se depara com um drama sangrento.


Mas eu, apesar de preferir um policial a um drama, gostei bastante desse.


Beijos!


SINOPSE - SKOOB - EDITORA INTRÍNSECA - SARAIVA -  APPUNTI DI UN VENDITORE DI DONNE


E-BOOK OFICIAL - 1º CAPÍTULOGOODREADS - SITE DO AUTOR


Nenhum comentário:

Postar um comentário