quinta-feira, 3 de julho de 2014

In Death por Lilian Sinfronio #01 - John Corey Whaley - Quando Tudo Volta

Sempre acreditei que após o vale sombrio, mais conhecido como adolescência, somos capazes de reconhecer aquele tom melancólico/pessimista/sofredor, característico da época de terror dos pais e o nascer de um ser humano sociável, em qualquer lugar em que estivermos, mesmo sem saber quem fala. Porque poucas coisas são mais certas na vida do que a incapacidade dos adolescentes em viver dentro de uma “normalidade”.


Ouvi há anos algo que me faz rir até hoje sobre essa fase: Adolescentes são seres alienígenas que estão gerando um outro ser humano, que um dia sairá lá de dentro e poderá ser chamado de normal.


Lembrei de tudo isso durante a leitura, porque Cullen Witten é o retrato fiel do garoto de 17 anos que mora em uma cidade pequena e, aparentemente, esquecida do resto do mundo. Apaixonado por uma garota inalcançável, incapaz de decifrar seu futuro, mesmo que seja o mais imediato possível e perseguido por um valentão na escola. Ele é a personificação de 90% dos meninos nessa idade.


Exatamente por isso é fácil o reconhecimento com os sentimentos que Cullen experimenta, após dois fatos que mudaram a ordem das coisas: seu irmão mais novo, e a coisa mais próxima de bom em sua vida, some sem deixar rastro; e, um pássaro dado como extinto é visto em sua pequena e desimportante cidade. Esses dois eventos não se comunicam entre si, mas são o pano de fundo da história contada por John Whaley, que inclui nisso zumbis e muita divagação.


O livro tem histórias que se interligam, conflitos bem reais e um teco de suspense que deixa a segunda metade da leitura muito mais interessante. Sim, porque na primeira metade fiquei tentando entender até onde o autor queria me levar e me perdi um pouco na história, até mesmo me desinteressei por ela. O que ajudou foi a leitura muito fácil e, como já disse, a empatia que criamos pelos conflitos e loucuras de Cullen, por sua dor e desespero até.


Quando Gabriel, sendo o irmão querido, sensato e responsável, embora mais novo, some sem deixar rastros, não tem como deixar de entender e apoiar as atitudes de Cullen. E quando ele assume para si um grande bocado da responsabilidade pela família, o que desejamos é entrar lá e dizer o quanto ele está sendo mais maduro do que eu seria.


Outros personagens do livro têm importância no cenário paralelo criado, como um filho obcecado por uma religião que o pai impôs e um amigo que fica paranoico pelos aparentes sinais deixados em um livro apócrifo(?). Esses capítulos alternados, para mim, salvaram o livro, por criar uma válvula de escape para meu cansaço na melancolia de Cullen e aguçar a curiosidade no que viria a seguir. Ponto para o autor.


O livro curto e a diagramação fofa ajudaram bastante a encaixá-lo no gênero Young Adult (YA), mas em muitos momentos fiquei achando que ele falava mais com essa velha aqui do que com alguém da idade indicada, estou louca? Provavelmente.


Algumas (muitas) falhas de revisão me incomodaram ao longo da leitura, o que não acontece com tanta frequência nos livros que leio da editora, ficou a interrogação do que aconteceu dessa vez.


SKOOB - NOVO CONCEITO - GOODREADS -  WHERE THINGS COME BACK

Um comentário:

  1. Caverna Literária5 de julho de 2014 10:06

    Eu me interessei por esse livro desde que li a sinopse, mas estava meio com um pé atrás a respeito da história, se de fato fazia jus a seu potencial, ou se de tanto divagar, o autor acabava brisando e indo além do esperado. Gostei bastante da sua resenha, parece que apesar das doideras, é uma história muito boa, ainda mais pra adolescentes haha

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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