terça-feira, 5 de agosto de 2014

In Death por Lilian Sinfronio #05 - Suzanne Collins - Gregor: AsCrônicas do Subterrâneo

Sou daquelas criaturas estranhas que preferem conhecer um autor por sua obra menos conhecida, seu trabalho menos comentado e mais tímido. No caso, o mais tímido já foi uma baita coleção de cinco livros que devorei assim que me caia nas mãos. Outro fator de desespero para qualquer leitor desesperado é ter que esperar meses ou – deus me ajude – anos por uma continuação, naquele limbo sombrio de “o que aconteceu com meus personagens preferidos”, até o mais famoso “Por que comigo, por quê?”. Por isso, fiquei feliz e satisfeita ao saber que todos os livros já haviam sido lançados em terras tupiniquins e estavam acessíveis, no meu caso, através de empréstimo maroto de amizades queridas.

Nos livros, conheci o Gregor,  e olha... esse menino tem um peso de responsabilidade maior que muito homem barbado por aí, mesmo aos onze anos. Seu pai sumiu há dois anos e meio e ele é o “homem” da casa, cuidando de sua avó frágil e suas duas irmãs menores, enquanto a mãe trabalha desesperadamente para sustentar todos. Um dia, ele escorrega pela tubulação de ventilação de sua lavanderia e cai tanto que acaba descobrindo um novo mundo: O Subterrâneo, onde seres humanos convivem com grandes animais falantes, entre baratas (ou rastejantes), aranhas (ou fiandeiros) ou ratos. Nesse lugar cheio de criaturas e pessoas estranhas, Gregor acaba fazendo muitos amigos e inimigos, descobrindo habilidades – e muitos defeitos – além de salvar o dia mais de uma vez. Sempre em busca de salvar alguém de sua família, ou de socorrer o povo sofrido do Subterrâneo, Gregor se mete em várias bagunças.

Lá no Subterrâneo, Gregor é considerado um Guerreiro esperado por muitos anos, já que um carinha chamado Sandwich escreveu muitas profecias que previam a vinda de um Guerreiro que iria lutar em nome de Regália, a cidade dos humanos, e iria salvar todos da destruição.

Os livros fazem parte d’As Crônicas do Subterrâneo, e possuem cinco livros, já lançados por aqui pela Galera Record:






Li os três primeiros livros em três dias, emprestados de uma amiga. Uma delícia. A autora enche a história de uma agilidade gostosa, e não seria clichê nenhum dizer que as páginas foram virando sozinhas de tão grudada que estava na leitura. A linguagem acessível e as atitudes sempre heroicas do protagonista ajudavam, além dos elementos engraçados e curiosos da história, como a fofa Boots, irmã de dois anos de Gregor que se viu metida nessa viagem e, de cara, foi considerada princesa por todas as baratas. Uma gracinha. Além de tudo, Luxa, a futura rainha de Regália ainda com 11 anos, jovem demais para reinar, mas destemida como Gregor e sempre estará com ele nas aventuras.

No final de cada livro, Gregor encerra um ciclo e precisa parar pra avaliar suas perdas e ganhos e tentar voltar à realidade de um menino de 12 anos, que não tem nada de especial no mundo normal. Isso tem características semelhantes com a maioria dos infantojuvenis, onde o mocinho é jovem e bravo, mas Suzanne Collins conseguiu construir um mundo interessante, engraçado e que tive vontade de revisitar. Ela criou em Gregor um menino a ser admirado, de uma bravura que todo garoto dessa idade queria ter, não sem medos, mas cheio de vontade de ajudar e salvar pessoas, a ponto de vencer seus receios e aprender com eles.

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No quarto volume senti um baque na leitura. De todos, esse foi o mais arrastado, mas, mesmo assim, consegui encontrar aquele encantamento durante a leitura, aquela leitura leve e alegre dos infantojuvenis.

Então, no quinto e último volume, fui cheia de sede ao pote, ávida por saber como Gregor ia resolver um monte de pepinos e entender, finalmente, alguns sentimentos reprimidos durante os livros anteriores. No início, o livro estava frenético e desesperadoramente viciante, mas com a evolução da leitura fui percebendo que não tinha como a autora resolver algumas questões e que eu iria ficar muito chateada. Não deu outra! O final do livro me deixou fula da vida, não acreditei que ela fez isso comigo... ainda estou tentando superar o baque e entender os motivos da autora. Preciso de pessoas para comentar o final, pufavô.

Portanto, na soma dos quadrados dos catetos que é igual a alguma coisa que não lembro mais... ou seja, no frigir dos ovos, a leitura valeu muito a pena. O que quero dizer é que os livros são muito bons no gênero ao qual pertencem, são estimulantes e gostosos de ler, MAS queria bater um papo sério com a autora para que ela me explicasse o que quis com o final. rs.

Para aquelas pessoas já crescidinhas mas de mente aberta, que não perdem a oportunidade de se divertir – e, por vezes, aprender – com um livro: experimente Gregor.

Agora me sinto pronta para conhecer a trilogia mais conhecida mega comentada da autora. Que venham os Jogos Vorazes.

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