quinta-feira, 11 de junho de 2015

Aleatoriedades #6



Estava eu aqui conversando com um amigo (oi, amigo, tu és famoso agora!) sobre a minha dificuldade de encontrar uma única vaga pra estacionar em uma das ruas do centro. Para onde eu olhava só via vagas para idosos e portadores de necessidades especiais. Ficava me perguntando o motivo daquele mundo de gente não estar deitadinho nas suas camas, dormindo, num domingo de manhã (que era exatamente o que queria estar fazendo).

Daí meu amigo perguntou, com a maior naturalidade do mundo: "por que tu não estacionaste numa delas?".
E aí fiquei eu aqui lembrando de todas os "por quês" que já ouvi, de todos as piadas que já aturei, de todas as vezes que já fui chamada de "cri cri" e de "chata" por não concordar com "mas são só cinco minutos", "é rapidinho" ou "ninguém vai ver".

Independente de entrar na onipresença e onisciência de Deus ou do Carma, dependendo no que tu acredites, eu estou vendo. E se eu estou vendo, preciso que mais alguém veja ou me diga que aquilo pode parecer irrelevante e inofensível para mim, mas para outras pessoas pode causar um problemão digno de estragar o dia? Não, não preciso.

Talvez por ter duas pernas funcionais, capazes de me levar a qualquer lugar sem grande dificuldade, eu ache absolutamente natural andar alguns quarteirões até onde eu vá.

Talvez por minha irmã precisar de vagas especiais e próximas e eu ficar louca de ódio quando vou estacionar e tem um infeliz parado na vaga que deveria ser usada por ela sem qualquer adesivo de "PNE" no raio do carro.

Talvez por minhas avós terem mais de oitenta e de noventa anos e ser muito difícil para uma delas andar mais que alguns metros, o que torna impossível ir ao centro de Belém sem acabar desgostosa com a humanidade.

Talvez por eu não acreditar na teoria do esperto ou no "jeitinho pra tudo".

Talvez por eu ser "chata, cri cri e ter mania de certinha", eu fico louca da vida com gente que é cheia de teoria e vazia de prática.

Talvez por isso me fazer pensar quais são as outras simplificações que as pessoas tomem no dia-a-dia, simplesmente por não alterar a vida delas.

Não sei. Só sei acordei com isso na cabeça e ainda não consigo entender o raciocínio da resposta dele (e de muita gente) para uma coisa tão simples quanto uma vaga de estacionamento.

Por que se andar alguns metros para estacionar o carro no lugar certo causa tanto desconforto, aceitar o diferente, fazer o correto e "andar na linha" deve ser praticamente impossível...


Barbara

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