segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Resenha #430 - O Meu Pé de Laranja Lima por José Mauro de Vasconcelos

Eu.
Um livro.
Muitas lágrimas, muito sofrimento e uma leitura que deixou um ardor agridoce.
*****

Nunca quis ler "O Meu Pé de Laranja Lima" pela mais pura e simples covardia.
Eu sempre soube que era um livro maravilho. Que a história era arrebatadora, que era um daqueles livros que só nem auge do sofrimento você pensaria em abandonar.
Sempre soube que quando o pegasse para ler seria amor na primeira letra. Sim, eu sempre soube de tudo isso e, ainda assim, nunca sequer pensei em pegar para ler, pelo simples motivo que tenho pavor de clássicos.
Mas esse ano o meu Grande Desafio, minha Meta de Ano Novo, Minha Resolução 2017 era uma só: tentar coisas novas. Um livro, um filme, uma música. Simplesmente fechar os olhos e me jogar.
Foi o que eu fiz aqui
.
Peguei "O Meu Pé de Laranja Lima" para ler quando precisei de uma enorme pausa em "Memórias de Uma Gueixa. Sim, eu sei, parece loucura, mas eu queria continuar no clima do desafio.
Pois bem, o que foi esse trator que passou por mim?
O que foi essa pobre dessa criança?
Eu não sei se o que doeu mais foi o Zezé conseguir ser tão doce em meio a tanta brutalidade ou ele estar tão convencido de que merecia aquela vida que tinha que quase conseguiu me convencer disso.
Não falo apenas do abuso físico (porque aquilo lá não é uma palmada sem forças como reforço negativo, não é um grito dado por uma mãe exausta, menos ainda uma inocente briga entre crianças), mas do abuso constante de uma criança que não teve chance de ser criança.
Pelas lágrimas dos leitores, o que foi aquilo?
Passei o livro inteiro virando pra @LilianSinfronio (Oi, Wife) e dizendo "Tão batendo nele outra vez!!! Ele só tem CINCO ANOS!" e chorando mais um pouquinho. e talvez até esteja com os olhos rasos d'água agora

Acho o que mais difícil foi, quando acabei, ter ficado me perguntando "mas e aí?"
E aí, o que aconteceu com o Zezé?
E aí, será que ele conseguiu viver tudo aquilo que ele merecia?
Sim, existe aquela nota final que não diz nada com coisa nenhuma e só me fez sofrer ainda mais.
Sem o Portuga, quem deu carinho para aquela alma sensível?
Será que ele voltou a ver Panteras Negras no Galinheiro?
Será que ele entrou no ciclo da violência, depois de tanto apanhar?
O que aconteceu com ele, quem ele virou, o que a vida o tornou?

Sim, eu sei, esses são aqueles livros que chegam, agarram o coração de leitora e não saem nunca mais (os preferidos, confessemos), mas ele dói, machuca e deixa você se perguntando o motivo de tamanha brutalidade com alguém que só queria apreciar o mundo (Zezé e eu).
Três dias depois e ainda não consegui processar completamente a leitura.
Talvez leia outra vez. Talvez não. Só sei que jamais esquecerei...
Até.

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